A participação eleitoral em Juiz de Fora apresentou variações marcantes entre os bairros durante o primeiro turno das eleições de 2026. A diferença na taxa de abstenção chegou a 13 pontos percentuais, revelando uma disparidade significativa no engajamento dos eleitores. No topo da lista, o bairro Retiro registrou uma abstenção alarmante de 22,46%, enquanto o Aeroporto se destacou com um índice bem menor, de apenas 9,46%, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Quando analisamos os números absolutos, o Centro da cidade ficou em destaque, concentrando o maior número de eleitores ausentes, totalizando 3.986 faltas entre 19.556 eleitores aptos a votar. Logo atrás, estavam os bairros de São Mateus e Santa Luzia, com 3.725 e 2.149 abstenções, respectivamente. Esses dados demonstram como regiões com maior número de eleitores podem influenciar diretamente na participação geral do município.
Mas o que está por trás dessas diferenças? O professor Moacir de Freitas Júnior, do Instituto de Ciências Sociais da UFU, aponta que a abstenção é frequentemente moldada por uma combinação de fatores sociais, econômicos e logísticos. Ele observa que eleitores de menor renda, com dificuldades de deslocamento e problemas cadastrais, tendem a faltar mais às urnas. “Pessoas com renda de até dois salários mínimos enfrentam barreiras que dificultam a participação”, disse o especialista.
Além das dificuldades práticas, há uma desconexão política que se agrava em períodos de crise. “Quando a vida cotidiana se torna um desafio, muitos sentem que seu voto não faz a diferença, o que não é verdade”, acrescentou Freitas Júnior.
Por outro lado, o professor acredita que o segundo turno pode trazer um aumento na participação, especialmente em disputas acirradas. “Nas eleições mais disputadas, os eleitores tendem a se mobilizar mais, percebendo a importância do seu voto”, explicou. Contudo, ele ressalta que fatores locais e mudanças nas disputas estaduais também podem afetar o comportamento do eleitorado nas próximas semanas.



