As eleições presidenciais em Juiz de Fora deste ano mostraram um cenário animador, com uma redução nas taxas de abstenção tanto no primeiro quanto no segundo turno. Esse fenômeno é notável, especialmente quando analisamos a evolução dos dados ao longo das duas últimas décadas, que revelam um comportamento eleitoral bastante dinâmico na cidade.
Desde 2002, o eleitorado juiz-forano passou por diversas mudanças, com períodos de alta e baixa participação nas urnas. Historicamente, as abstenções no primeiro turno vinham crescendo até 2018, mas, a partir de então, essa tendência começou a inverter-se, culminando na menor taxa de ausências desde 2014 nas eleições gerais de 2026.
No entanto, o segundo turno apresenta um quadro mais volátil. Em 2010, por exemplo, a abstenção foi significativamente maior na fase decisiva da votação. Já nas eleições de 2022, Juiz de Fora conseguiu registrar uma expressiva diminuição nesse índice, o que é um reflexo positivo da mobilização cívica local.
Apesar dessas melhorias, a taxa de abstenção em Juiz de Fora ainda se mantém próxima à média nacional, onde 21,08% dos eleitores se ausentaram nas últimas eleições, totalizando cerca de 33,5 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas. Esse dado é motivo de preocupação para especialistas, como a pesquisadora Alecilda Oliveira, que alerta para os perigos da apatia política. “A diminuição da participação eleitoral é um sinal de uma democracia que precisa ser resgatada”, afirma.
Oliveira destaca que a crescente desconfiança na política pode ser uma das causas para esse desinteresse, enfatizando que a percepção de falta de valor na participação eleitoral está se tornando comum entre os cidadãos. Assim, a cidade de Juiz de Fora, enquanto observa uma melhora nas abstenções, também enfrenta o desafio de reverter esse sentimento de desencanto com a política.



