A Prefeitura de Juiz de Fora deu início, na última quinta-feira (22), ao processo de demolição de imóveis condenados pela Defesa Civil no Parque Burnier, uma das áreas mais afetadas pelas chuvas de fevereiro. A tragédia, que deixou 74 mortos na cidade e se tornou o quarto maior desastre por chuvas no Brasil na última década, ainda ecoa na vida dos moradores que resistem à desocupação.
Embora a administração municipal não tenha divulgado o número exato de casas a serem demolidas, algumas famílias permanecem em suas residências, alegando a falta de alternativas. A Polícia Militar foi acionada para registrar a situação, destacando a tensão entre a necessidade de segurança e os direitos dos moradores. Em uma entrevista, uma residente da rua Natalino José de Paula relatou os danos em sua casa, situada próxima a um ponto crítico de deslizamento.
Ela mencionou que, apesar de ter sido selecionada para o programa Compra Assistida do Governo Federal, ainda não recebeu o benefício. Além disso, a mulher não teve acesso ao auxílio aluguel oferecido pelo município e afirma que não foi informada sobre a demolição de sua residência.
A Prefeitura, por sua vez, continua a demolição de outros imóveis, ressaltando que a desocupação é crucial para a segurança da população. Em uma nota, a administração municipal afirmou que os imóveis estão interditados e não devem ser ocupados, dado o risco de novos deslizamentos. A orientação é clara: os moradores devem respeitar as interdições para evitar tragédias.
Em resposta a questionamentos sobre moradia para aqueles que perderam suas casas, a Prefeitura reiterou que todos os atingidos estão incluídos no programa Compra Assistida. No entanto, a falta de clareza sobre a entrega dos imóveis gerou frustrações. A administração não forneceu dados detalhados sobre o andamento do programa, o que deixou muitas famílias em um limbo de incertezas.
Até o momento, aproximadamente 1.916 famílias solicitaram o acesso ao Compra Assistida, mas apenas 1.640 tiveram suas solicitações aprovadas. No Parque Burnier, região Leste da cidade, 776 pedidos foram registrados. A Caixa Econômica Federal informou que 311 famílias já estão em novas casas, mas a maioria ainda não completou o processo de aquisição.
Enquanto isso, a cidade se recupera lentamente dos estragos das chuvas de fevereiro. Os moradores ainda lidam com as consequências da calamidade, que provocou deslizamentos, alagamentos e uma série de tragédias. O desafio para Juiz de Fora agora é garantir que as famílias afetadas tenham um futuro seguro e digno, longe das áreas de risco que, até hoje, permanecem como um lembrete doloroso do que ocorreu há meses.


